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COLUNAS
Sabores cariocas
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Em dois dias, colunista visitou 16 estabelecimentos que fazem a gastronomia na Cidade Maravilhosa
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Trabalhar em São Paulo e curtir o Rio. Uma frase clássica sobre a definição do que seja viver 90% da vida urbana nacional, unindo numa ponte (seja aérea, rodoviária ou sonhada trem-bala) o melhor do Brasil: a caótica pujança paulistana e a malemolência praiana carioca. Para muitos um sonho, para outros, realidade. Meninos eu vi: é bem legal.
Mesmo quando se está no Rio também a trabalho. E bota trabalho nisso. Da Praça da Bandeira ao Leblon, foram 16 estabelecimentos em dois dias. Chefs, empresários e restauranteurs para entrevistar, assessores para trocar figurinhas e pratos para provar. Família, amigos e até a saudade da praia ficaram para a próxima. Nessa vez, a gastronomia foi parceira e anfitriã.
Dez da manhã da segunda-feira 25. Feriado em São Paulo e o sol pegando na moleira de quem curtia o mar. E o repórter na Praça XV, tentando um contato não agendado com o chef Santos. Difícil de encontrar o português, dono de três pontos no coração da cidade, o Casual Retro (duas unidades) e a pizzaria Benn Fatto. Dois vendedores pareciam mofar a horas, de tão entediados que estavam. O chef me chamou no curto intervalo entre numa reunião e outra. Troca cartões, elogios e uma quem sabe entrevista.
Entrevista mesmo foi a concedida por Vera Helena Carneiro, restaurantrice do Atrium, um dos restaurantes mais bacanas do balneário e localizado dentro do histórico Paço Imperial. O fantástico risoto de calabresa com feijão branco ganhou a pimenta necessária com o bate papo, cheio de inteligência e sagacidade, sobre o universo político-jurídico-gastronômico do centro do Rio.
Essa foi apenas a entrada. O prato principal foi um sonho de infância: almoçar na Casa da Suíça. Um verdadeiro verão no Vale do Engadin na companhia do chef Volkmar Wendlinger, que apresentou, acompanhado sua filha Claudia, suas artes: a misteriosa Botwinja, a estrela de Salmão na gelatina de vinho tinto e o filé mignon au faiçon du patron, além de pinturas e capas dos cardápios, feitas por ele a mão.
Divulgação
 Os sabores do verão dos Alpes na Casa da Suíça
Na sequência, Ipanema e seus modismos. A última novidade é a caixinha criada por Claudio Versiani e Cia. Chama-se Bentô, um medium food de fofas marmitinhas plásticas que pode ter harumakis, bi-fun, salmão empanado com cream cheese e ovas de massago, entre 30 opções. Negócio da China.
Uma pausa para o café na Sorvete Brasil e vamos ao mediterrâneo Margutta descobrir a personalidade que é Gianpaolo Neroni. O restauranteur do Vêneto tem quarenta anos no Brasil e tantas casas na história, como o lendário e finado Grottmare e as atuais Borsalino, Bugatti, Margutta Città, entre outras. O tino nos negócios é apenas reflexo de um dos melhores nhoques da minha vida, além de um pargo e mexilhões fresquíssimos. Para finalizar o dia, uma animada rodada de sobremesas, com profiteroles e creme brulée com a equipe do Da Brambini (desculpe o furo chef Umberto) regada à chianti rosé e vinho da casa.
Acordei ainda tonto de tanta informação e a terça só ganhou sobriedade no café de negócios no J.W.Marriot, que pretende transformar o mezanino do hotel no pólo gourmet da Avenida Atlântica. Após debater as estratégias do setor estava pronto para o Leblon.
Ah o Leblon, terra de Manuel Carlos e tantas Helenas que freqüentam seus restaurantes.O primeiro prato teve o sabor ítalo-nortista da chef Maya Van Velthem que comanda o Quadrucci. Para a honra da Espanha, a chef estava por lá aprendendo ainda mais no Madrid Fusion. Já pararam para imaginar aquela entrada de siri na invídia feita como tapa? Ou a tapioca com geléia de jabuticaba servindo de recheio para um contemporâneo pastel madrilenho? Olé!
À tarde, dois cafés. Um com biscoitinhos de pimenta e curry com o chef David Z, do festejado Nan Thai e do recém-aberto Ban Kao em Sampa. Foi uma aula de Oriente. O outro, com trufas e pimentas, essas de cheiro - pouco ardidas e muito saborosas - vindas das idéias trocadas com Samanta Aquim. Só o it da arquitetura, com o toque retro da coleção de bules, do restaurante Aquim vale a visita.
Divulgação
 Atum marinado no shissô, criação da chef Ana Zambelli para o Togu
Ainda sobrou uns minutinhos para um papo rápido com o colega de faculdade e chef criativo Erick Nako à porta de outra novidade, a sua Prima Bruschetteria. Logo após, o segundo prato, já às quatro da tarde. Valeu fechar a boca para apreciar o show de texturas e sabores apresentados por Ana Zambelli, chefe convidada no Togu. Ela ficou de afinar no creme de nutella com morangos, mas a lembrança do tartar de salmão com espuma de wasabi e gelatina de shoyu e do atum marinado servido com guacamole e farofa de nachos supera qualquer crítica.
Cansado? Pausa no Jobi para um chopp antes de partir para Botafogo, bairro entre o boêmio e o cult e que abriga o badalado Meza Bar. A galera fica de boa na fila de espera desde as 19 horas só para aproveitar os papos e a gastronomia jovem e inteligente do lugar. Se ainda morasse no Rio, as terças (e quartas, e sábados, etc) mereceriam uma passada por lá para provar as novidades dos potinhos do jovem chef Fabio Batistella, um paulistano de Higienópolis que fez o caminho inverso ao meu.
Divulgação
 Animação no Meza Bar, em Botafogo
Antes de voltar à terra da garoa (agora tempestades diárias intermináveis) ainda deu tempo de dar um abraço e tomar a saideira com os meus no Aconchego Carioca. Discutimos pais, filhos, esquizoanálise e infâncias perdidas ao sabor de cervejas internacionais e de um saboroso bolinho de feijoada.
Um pé lá e outro cá. Numa tem praia, mate no latão e salada. Na outra, trabalho, chopp perfeito e balada. Viver o sonho urbano contemporâneo nas ruas de duas metrópoles sul-americanas custa sim, mas menos do que se imagina, de fato*. Se ganhar dinheiro em São Paulo e gastar no Rio é um objetivo de vida, meu amigo, faça-o. Basta eleger suas estações (verão/Santos Dummont/Congonhas/ inverno/Tietê) preferidas para tê-las como ponto de partida e de chegada nessa brasileira viagem.
* O repórter viajou por conta própria, teve seus deslocamentos pagos pelo Guia da Semana e foi convidado pela maioria dos restaurantes listados. As execeções foram Casual Retrô, Sorvete Brasil, Jobi e Aconchego Carioca. Em todas as casas, os cardápios foram estudados. Nos restaurantes em que houve refeição, os valores variaram de R$ 22,00 a R$ 95,00 (pratos provados).
Quem é o colunista: Bruno Cesar Dias, um carioca andarilho pela cultura paulistana.
O que faz: Repórter de Gastronomia e Viagens do Guia da Semana.
Pecado gastronômico: Pão! Seja na bruschetta, na rabanada ou no sanduíche de queijo com goiabada.
Melhor lugar do Brasil: Essa opinião depende do dia... mas com certeza, está na Via Dutra.
Fale com ele: brunocsdias@gmail.com.
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Psytrance do Life Style em coletânea
Publicação: sexta, 03 de setembro de 2010

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O que você acha dos chamados "dining clubs"? Restaurantes que também são baladas.
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